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#25 – 7º Circuito Pague Menos – Fortaleza, 2016

Lá atrás, em abril de 2014, quando entrei no mundo das corridas de rua, olhei para as distâncias clássicas e logo fiz um paralelo: 5k=ensino médio, 10k=graduação, 15k=especialização, 21k=mestrado, 42k=doutorado e depois (as ultras) os pós-docs da vida… Hoje, quase 30 meses depois, consegui meu título de “mestre”. Assim como na vida profissional, pulei a especialização. Agora, são dois doutorados para correr atrás!

A “Corrida da Pague Menos” é a mais esperada do ano em Fortaleza. Este ano ouvi falar em 12 mil inscritos. Sua fama se deve, principalmente, pelo kit bem recheado. Como muita gente adora uns breguecinhos, ai a corrida já começa na inscrição: geralmente só temos algumas horas até que tudo se esgote. Em 2015 não deu, mas agora, sim. A organização também faz a boa fama da corrida. Praticamente não se ouve reclamação a respeito deste evento, assim, tem-se a ocasião perfeita para estrear nos 21k. Agora, o que causa bafafá, mesmo, é o comercio de cambistas para esta corrida. Na semana que antecede a prova, o que tem de “corredor” que fica doente e não poderá ir, é uma festa! “Vendo número de peito e chip: 70 reais!”

Eu já estava praticamente há dois anos nas provas de 10k. Sempre que procurava leitura acerca do mundo das meia-maratonas, chegava a conclusão de que a passagem não seria tão simples. Até maio deste ano, eu sonhava com os 21k, mas era só sonho. Ainda não tinha dado passos firmes para concretizá-lo. Até que em junho, quando eu já estava meio relapso com relação aos treinos, apareceu um convite insperado daquela que depois seria a minha orientadora nessa jornada: Camilla Lopes. O convite era aberto aos moradores do bairro, mas o pessoal não aderiu. Acordar 4:30 é coisa de gente doida!

Em seguida combinei com meu amigo Válber Leão que tinha chegado a hora de encararmos os 21k e conseguimos inscrição na famosa corrida da Pague Menos. Tínhamos mais de três meses e alguma vivência na corrida, então, não tinha como dar errado.

Treinamos bastante no período e, em algumas vezes em que pude estar em Fortaleza até abrimos mão de participação em corrida para podermos treinar 18k, 20k. No restante do tempo, eu estava em Sobral treinando com a orientadora. E ai, orientador, sabe como é né… Tira o coro do orientando mas na página dos agradecimentos tem o maior espaço.

Também vi que era necessário algo além dos treinos e fui procurar orientações nutricionais com uma profissional da área. Fiquei muito satisfeito pois além de uma melhora na performance, pude descobrir uns problemas silenciosos e descartar outros. Tá vendo!? A corrida faz bem pra saúde, desde que você faça direito!

Chegada a semana do grande dia, diminuímos o ritmo dos treinos. Confesso que fiquei receoso. Poxa, três meses me preparando pra uma prova e botar tudo a perder na última semana? Não, senhor! Semana só no embromation.

No sábado fomos pegar os kits (que são entregues no local da largada, na Praia de Iracema) de todo o pessoal de sempre: Rosinha, Marta, Victor, Adriana, Mairton (irmão da Adriana que agora tá tomando gosto pela coisa), Válber e eu. Muito bem organizada, sem filas grandes.

No restante do sábado, muita água e alimentação de acordo com a dieta traçada para o período. Tentei adiar a hora de dormir para que quando o sono chegasse, fosse avassalador e assim evitaria aquele rola-rola provocado pela ansiedade… Mesmo que nada! Noite não dormida. Leves cochilos retalhados. Dei Graças a Deus quando o relógio marcou 3:30: hora de ir!

Desta vez fomos de táxi pois pela quantidade de inscritos, imaginamos que seria difícil conseguir um lugar para estacionar. Chegamos no Aterro da Praia de Iracema às 4:35. A largada dos 21k estava marcada para 6h.

14492378_1737835613135544_4528881094109830529_nVálber (esq.), Marta, Rosinha e eu. Madrugamos.

O dia foi amanhecendo mas logo ficou claro que seria uma manhã nublada. Que bom! Mas a largada atrasou um pouco, uns 10 minutos. Eu só queria que começasse logo. Mas, até Hino Nacional teve. Um dia ainda aprendo pra quê serve o Hino Nacional…


Largamos e fomos juntos, Válber e eu. Saímos do Aterro da Praia de Iracema e fomos em direção ao Cais do Porto. Até lá, um pouco mais de 5km e uma cena curiosa: uma caminhoneiro manobrava seu caminhão sem se importar com quem estava correndo e os corredores, aqueles seres “cabeça” e “zen” disseram mais palavrões do que eu já escutara em toda a minha vida. O mais leve foi “corno”. Voltamos pela Avenida Beira Mar cada um mais medroso que o outro para imprimir um ritmo mais forte, mas estávamos mantendo um pace na faixa de 6 minutos por quilômetro. Aos 55 minutos, depois de passarmos pelo quilômetro 9, o Válber perdeu o medo e apertou o passo. Eu não arrisquei. Pace de 6min/km estava maravilhoso para mim!

Completei os 10km em uma hora e alguns segundos. Havia tomado o primeiro gel de carboidrato por volta dos 50 minutos de prova e dali pra frente seria a cada 30, 35 minutos, a depender dos postos de hidratação – que foram bem distribuídos, diga-se.

Seguindo agora em direção ao Marina Park, entrávamos na parte final da prova. Sabia que o desafio estaria logo adiante, na abominável subida do IML. Ainda tinha uma outra em seguida. Mas no percurso da prova, olhando pelo mapa, juro que achei que o retorno seria no mesmo local onde sempre são os retornos da Meia Maratona de Fortaleza ou do Circuito das Estações. Mas ai, fomos indo, indo, Icaraí, Cumbuco, Lagoinha, Flexeiras, quase chegando em Jeri, ai sim o retorno. Ufa!

Na volta, ao chegar no quilômetro 17, senti o peso da primeira Meia Maratona. Preguei. A coxa e a panturrilha do lado direito reclamavam. Além disso meu ouvido entupiu, como se tivesse entrado água! Mas, faltando só 4, vai-se na raça! Diminui o ritmo e consegui terminar em 2:17’55”, o que dá um pace médio de 6’34”. Bom demais! Principalmente levando em conta que meus primeiros 5km foram à 8’36” e meus primeiros 10km foram à incríveis 7’48”.

Na linha de chegada, toda a moçada lá esperando e dando força.


Player

Pronto, dissertação concluída. Agora sou um corredor mestre. E eu adoro o título de Mestre, pois lembra o Mestre Splinter, Mestre dos Magos, Mestre Yoda, mestres Jedi…

A entrega das medalhas era bem à frente, quase em Canoa Quebrada. Mas, deu tudo certo. Isotônico, barrinha de cereal, frutas, água… Muito bom.
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Todos devidamente medalhados.
Agora é descansar e comer muita pizza logo mais a noite. Próximo compromisso será em Sobral, na Corrida do Médico, em 16 de outubro. Um dia antes tem Maratoninha SESC para o JC. E em 2017, ano de várias Meias, pois em 2018 quero esse doutorado.

Hoje foi um marco importante pra mim. Gosto muito de correr. Esse esporte tem me proporcionado experiências fabulosas. Agradeço ao Celsão que lá no início sempre me deu muita força e incentivo, à Juli e ao JC, aos quais pude fazer uma pequena homenagem no número de peito de hoje, “à orientadora professora Doutora Camilla Lopes pela paciência e por partilhar sua grande experiência de triatleta”, ao Mestre Chaguinha, à Márcia, à Ana e ao pessoal da academia do SESI/Sobral que não fazem ideia do combustível extra que me dão a cada mensagem de incentivo, ao Felipe Pereira que também sempre dá aquela força, ao Valber Leão que é um paizão de toda a galera que tem corrido bastante… Enfim, é muita gente. GrazaDeus!
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Vigésima quinta medalha da coleção. Primeira de Meia Maratona.



Mais alguns registros:
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Agora Meia-maratonistas.



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Atualizando (26/09): Coisas que lembrei depois sobre essa corrida: Entre os quilômetros 16 e 17 (depois do retorno de Jericoacoara) o posto de hidratação era com isotônico. E ainda era “de marca”. Muito bom. Legal também ver a cara de felicidade do pessoal passando por mim (quando eu ainda estava indo em direção ao retorno) com as garrafinhas na mão. Tenho quase certeza que alguns pegaram por achar que na chegada não teria.

Um ponto “falho” na organização foi a questão das esponjas. Por volta do quilômetro 8 havia uma placa indicando “ESPONJAS” mas nada havia lá. Uns metros depois, quando eu passei (já com cerca de 50 minutos de prova) o pessoal do staff ainda estava colocando as esponjas dentro daquelas calhas com gelo. Ai houve reclamação de alguns mas pequei pela inexperiência. Era só ter carregado a esponja e, a cada ponto de hidratação, mergulhar a bichinha na água geladinha. Agora eu aprendi.

Atualizando (27/09): Finalmente saiu o resultado oficial da prova. Entre homens e mulheres, foram 1307 meia-maratonistas. Cheguei em 867º lugar. Entre os 1009 homens, cheguei em 731º. Entre os 455 na minha faixa etária (M3539), fui o 341º. É, tá bonzin…

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