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#23 – 7º Pé na Carreira

Foi hoje!

Depois da última corrida, a da Unifor, resolvi fazer uns exames de sangue para ver como andavam os níveis de colesterol e triglicerídeos, meus calos. Fui fazer, mas naquela soberba de quem corre toda semana, achava que estaria tudo as mil maravilhas. Resultado: nível mais alto já registrado. Nem em 2013/2014, quando comecei a correr, esses exames deram tão ruins.

Eu já tinha passado na médica ano passado e ela disse que eu teria que ir a um nutricionista. Mas, novamente, a soberba me fez pensar que assinar duas revistas de corrida e acessar todos os sites, blogs e canais no youtube, seriam suficientes para eu saber o que exatamente comer. Ora, eu tinha certeza que evitar frituras, refrigerante e comer muita batata doce e/ou macarrão antes dos treinos mais pesados, bastariam.

Há algumas semanas, a minha “tutora” Camilla Lopes já tinha me dado esse toque, mesmo antes de eu fazer os exames. Então, não pensei muito. Vamos à nutricionista. Afinal, tem uma meia já, já e a ajuda de um bom profissional é sempre a melhor opção.

Fui até a Dra. Ismenya Linhares, nutricionista funcional, esportiva e fitoterapia. Bastou uma consulta para que ficasse claro o quão errado eu estava comendo. Muito provavelmente por isso meus níveis de colesterol são tão inadequados para alguém que tem o ritmo de vida que eu tenho. Não é que eu comia ruim. Eu comia errado.

Feitos os ajustes, a dieta foi posta em prática. Dentro de uma semana já colhi os primeiros frutos, pois percebi que minha recuperação estava muito melhor: corri 16,5km no sábado e 13km na segunda. Tinha nem perigo de eu fazer isso (correndo) antes. E venho percebendo a melhora a cada dia: maior disposição, treinos mais produtivos, melhora no sono…



Tudo isso está sendo ótimo tendo em vista o meu objetivo maior nesse ano que é a Meia em setembro (Pague Menos). Mas, antes disso, tinha o 7º Pé na Carreira. Pelo que eu via, era momento do cearense ser cearense mesmo; sem aquela coisa meio fresca que vemos nas corridas de “grife”. Na largada nem tem buzina. Tem é vaia: iiiiieeeeeeiiii!

Com relação a corrida, o Válber foi pegar parte dos kits. Antes da prova tinha uma galera chiando com relação ao tamanho da blusa e a falta da bolsinha… Pulemos essa parte, em nome de Jesus.

No dia da corrida, primeira diferença. O que eu devia comer? Em dia de treino, como e saio para correr em 15 minutos. Mas hoje o intervalo seria de umas duas horas… Pensei em levar para comer só lá, mas desisti logo da ideia. Resolvi comer o que eu sempre como (depois de iniciada a dieta) só que em quantidade maior. Resolvido o primeiro dilema, fomos cedo como de costume e o nosso GPS, também chamado de Válber, arrumou uma rua que só pode estar no Mundo Invertido, pois só ele viu. Enquanto os demais veículos se digladiavam em busca de vaga, achamos duas na maior moleza.

Ficou um pouco de dúvida com relação ao horário de largada, pois vimos em algum lugar 6:45 mas nos grupos as pessoas falavam em 6:30. Por via das dúvidas, contamos que seria 6:30.

Depois que chegamos, encontramos a Nádia e o Erasmo, minha prima e seu esposo “carralo”.
Eu (esq.), Erasmo e Nádia.
O Válber estava com um probleminha na canela e notei que ele não tava “solto”. Fomos fazer o aquecimento e ele tava se poupando pra corrida. Afinal, agora a Marta também corre 10km e eles vão sempre juntos. Não seria bom para o casal que um quebrasse.

Bom, e eu? Eu estava me sentindo muito bem. No aquecimento dei uns dois ou três “tiros” para sentir mais ou menos que ritmo eu deveria imprimir na corrida. Lembrei do contato do Felipe Pereira no dia anterior: “projeto sub 1h?”. Rapaz, eu até já tinha desencanado disso… Atualmente estou preocupado mesmo é em resistir bem os 21k. Mas, o “Projeto sub-60” sempre esteve ativo rsrsrs. Só relembrando: até a corrida da Unifor, tinham sido 18 corridas de 10km e nunca conseguia baixar o tempo dos 60 minutos… Praticamente uma vergonha.

Então decidi que tentaria imprimir um ritmo constante que me desse a possibilidade desse bendito sub-60.

Aqueci, mas não alonguei. Quando terminamos o aquecimento, já era a largada, que aconteceu num parque bem simpático, próximo ao Mercado dos Peixes. A vaia de largada foi dada as 6:29 no meu relógio. Então, vamos lá. Bem confuso, diga-se. A gente não sabia se estava na torcida ou no funil de largada. Mas, como bom fortalezense, ex-usuário da linha Conjunto Ceará Aldeota, eu sabia que era só ficar ali que o magote de gente me levaria para o pórtico. Ora: dito e feito!

Antes que eu cruzasse a linha de largada, a pulseira do meu relógio torou! Eita píula. Como acompanhar o andamento da corrida km a km? Bom, agora não dava mais tempo. Era correr e pronto. Levei o relógio na mão por um tempo mas ele “apitava” tanto que guardei na pochete. Com isso, eu só saberia o meu tempo, de verdade, ao final. Achei que era uma maneira de não ficar obcecado pelo sub-60.

No primeiro km, eu ainda estava com o relógio na mão. Tempo: 6:29. Ixi! Tinha que melhorar muito isso ai… Mas também, o primeiro km é tipo aquelas provas do Silvio Santos, com muitos obstáculos: gente andando, gente conversando, gente parando pra tirar foto… Macho, arre égua!

O negócio veio melhorar depois do retorno para o pessoal dos 5km. Ai deu pra desenvolver um ritmo aceitável. O percurso era bem simples e plano para os 10km: saímos próximo do Mercado dos Peixes, depois Av. Abolição até o Dragão do Mar e volta pela Beira-Mar.

Consegui imprimir um bom ritmo e sempre lembrando das dicas e frases de minha “tutora”. Quando eu diminuía um pouco o ritmo, a voz dela ecoava na minha cabeça: “tu tem é medo é?”. O Cícero também me disse isso algumas vezes mas com outras palavras. Lembrei bastante dele também. Ai voltava ao ritmo. E foi assim durante toda a prova.

Com relação aos pontos de hidratação, a organização está de parabéns. Tinha mais que o suficiente. Salvo engano passamos por cinco deles. Mas tomei uma decisão que foi de impulso: tomar o gel, inteirinho (o que eu uso é tamanho grande) no quatro km. Eu acho que o recomendado seria depois do km 6… Ora, como esse bicho só faz efeito depois de uns 15 minutos, calculei que ele estaria agindo por volta do sétimo km, onde normalmente meu ritmo costumava cair em provas de 10km. Créu.
Foto: Rubens Mello/Fotos Run.

Quando entramos na Beira Mar, apesar de eu não querer olhar o relógio, aqueles que ficam no calçadão (relógio e termômetro) não paravam de me chamar: “ei, bichão, acelera ai. Olha a hora. Tem é medo é?”.

Ao passar pelo último relógio do calçadão eram 7:20. Faltava 1 km. Tem que ser hoje, pensei.

Com a área de concentração à vista, assunguei. Tirei o relógio da pochete e ele marcava algo que me deixou na dúvida se era 54 ou 59. Ai assunguei mais. Cruzei. Olhei para o relógio do pórtico que marcava 57 e alguma coisa. Como eu cruzei depois, sabia que tinha sido menos de 57. Tempo: 55:53. Feliz demais!
55:53 dá um pace médio de 5:35. Nunca tinha passado nem perto disso.

Apesar de ser algo bem “bestinha” pra quem tá de fora, pra mim não foi. Na hora até suei um pouco pelos olhos, mas ninguém viu. Tem tanta coisa que persigo e por um motivo ou outro não consigo… Mas a corrida tem me ensinado que com determinação e foco, é possível, sim.

Eu (esq.), Rosinha, Adriana, Marta, Valber, Victor. Foto: Rubens Mello/Fotos Run.
O mais legal é que tem muita gente que me ajuda para que a corrida continue fazendo parte da minha vida de uma maneira prazerosa. Não tem como mensurar tamanha gratidão que tenho por essas pessoas: primeiro à Ju que motiva sempre e se empolgou com essa dieta, até mudando um pouco os seus hábitos; JC que sempre pergunta “você não vai correr hoje?”, mesmo me vendo chegar do treino; a minha mãe Dona Núbia que não me deixou sair da dieta nem 1cm nesses dias que estivemos em Fortaleza; minha “tutora” Camilla Lopes que é de uma generosidade e paciência sem tamanho; a Dra. Ismenya que foi bem em cima nas minhas fraquezas nutricionais; o Mestre Chaguinha que não é meu personal mas sempre tem uma atenção especial com meus treinos de academia; ao pessoal que sempre está junto nas corridas: Valber, Marta, Rosinha, Adriana, agora o Victor, Dirceu (que hoje ficou em primeiro na sua categoria) e que se alegram com cada melhora do outro; os “Carralos” Nádia e Erasmo que estão firmes nas corridas e já passam o exemplo adiante; o Felipe Pereira que não se inscreveu nessa e por isso a prova não foi cancelada, mas que sempre me dá uma força; Celsão e Fabíola que, em certo sentido, me fizerem entrar nesse mundo das corridas; Hélder, Elder, Cícero, Mary… Enfim, tem mais gente, claro. Quando você resolve nomear pessoas, ai você passa a ser ingrato com outros.

Próximos capítulos: Tô inscrito numa prova no dia do meu aniversário, 3 de setembro. No Castelão, mas não vou. São “apenas” 6km e será reta final da preparação para os 21k. Então, Valber e eu faremos um longão nesse dia, que tem mais futuro. Se alguém quiser de presente a inscrição… Depois é a prova do SESC-Sobral, dia 11 de setembro e, ai sim, a prova da Pague Menos! Até lá, muitos treinos, repetição de exames e retorno à nutricionista para ver como andam as coisas aqui por dentro.

Atualizando (02-08-2016): Tempo oficial de 55:52!

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