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A corrida chegou nos meus amigos!

São aproximadamente 20 anos de amizade. Nos conhecemos na Igreja, mais precisamente na Comunidade Santo Antônio, bairro de Granja Portugal em Fortaleza. Periferia pobre, violenta, com poucas opções de ocupação (saudável) da mente e do corpo.

Na década de 1990 tivemos a felicidade de ter o Pe. Júlio como pároco de nossa comunidade. Foi um período revolucionário tanto do ponto de vista estrutural da comunidade como, principalmente, das ações voltadas para os jovens. Ele sempre foi um padre altamente jovial.

Uma das "frentes de ação" era a pastoral de Crisma. Saímos de pouco mais de 15 crismados em 1994 para algo em torno de 200, uns cinco anos depois. Obviamente que em qualquer grupo de pessoas, humanas, não existe homogeneidade. De 15, uns seguem num bom rumo - não necessariamente ainda dentro da igreja. Mas de 200, a chance de que mais gente tenha um futuro decente, aumenta. E era essa a diferença da liderança do Pe. Júlio: um cuidado para além das paredes da Igreja.

Ele não media esforços nos investimentos na juventude. Tanto que construiu uma quadra de futsal nos fundos da Igreja. Claro que o espaço serviria para diversas atividades, mas não conheço outros casos em que isso tenha sido feito. Era quadra mesmo: trave, marcação, redes de proteção, arquibancada.

Mais ou menos pelo ano de 1997 conheci o pessoal da foto abaixo. Sempre fomos muito ligados ao s esportes em geral, o que acabou apertando os laços que duram até hoje. Um é padrinho do filho do outro, padrinho de casamento, cunhados, etc... Se considerarmos o grupo completo (que não aparece na foto, claro) aconteceram casamentos. Vários. Agora consigo lembrar de sete. Deve ter mais. Os que casaram com pessoas de fora deste círculo, trouxeram os cônjuges para a "seita".

Em pé (da esquerda para a direita): Eu, Vicente, Giovane. Agachados: Ernane, Pedro Júnior, Nildes e Rogério.
O tempo foi passando e continuamos ainda por um bom tempo à frente da Pastoral de Crisma. Mas ai, o Padre Júlio - PJ - saiu. Eu e a Ju mudamos de cidade. Rogério passou um tempo fora. A vida adulta, de fato, chegou e acabamos nos desligando da Pastoral, mas não uns dos outros.

Tínhamos um horário cativo na quadra da Igreja. Formamos o time de futsal dos "monitores". Organizávamos torneios nesta quadra. Íamos anualmente para o nosso encontro em uma casa de praia - até que fomos assaltados lá e a frequência diminuiu. Os laços sempre foram fortes. 

Vieram filhos - e continuam vindo -, novos passeios e agora começa uma nova fase: a da corrida. Como já contei aqui, minha irmã e o marido da minha prima começaram a participar das corridas. A minha prima Nádia, também. Esses três sempre fizeram parte do grupo mencionado acima. Ah, esse grupo tem até um nome: "Por mim...". Qual o motivo? Sempre que tentamos combinar algo, o pessoal solta uma abreviação de "por mim, tudo bem". No Ceará, basta "por mim...". Acho que metade das ideias ficam só no "por mim...". Mesmo que involuntariamente, é uma maneira de não entrar em atrito. Vamos fazer isso? Vamos! Mas tem coisa que nunca acontece. E ninguém se chateia por não acontecer.

Nesse feriadão prolongado - dia do servidor público adiado para o dia 30, sexta, e dia de finados na segunda - parte do grupo veio nos visitar em Sobral. Os apontados na foto acima vieram. Eles têm começado a praticar corrida de rua. O Ernane já é da turma do pedal há algum tempo, mas o Rogério é um dos mais sedentários. Acho que ele está uns 7 ou 8 quilos acima do peso ideal. Talvez mais!

O primeiro tem dado algumas voltas na "F" - Avenida F, no Conjunto Ceará - e o segundo na "Lagoa do Gatão". Dizem que é no Zé Wálter, em Fortaleza, mas parece que é no Mondubim.

Como eles já sabem que estou gostando da prática, sempre trocamos umas ideias a respeito. Agora, deu certo sairmos juntos para umas corridinhas. Nada de neuras. Apenas a prática pelo prazer. Pela boa conversa, pela paisagem que não temos na capital e, obviamente, para o nosso bem estar.

Começamos na sexta descobrindo mais um pequeno lago em Sobral. Ele fica nos fundos da nova sede do Detran, mas quem passa por lá, não faz ideia de que existe isso ali atrás. Com a ajuda do Santo Google Maps, descobrimos e resolvemos fazer o percurso. Novamente o ponto de partida foi o Clube dos Calçadistas e fomos em direção ao novo loteamento. Entramos à esquerda e pegamos o único caminho possível - pelo menos segundo o mapa.

Ernane e Rogério encarando um percurso fora da pista.
A estrada é bem estreita, acho que é usada somente por pessoas e talvez animais, mas é bem legal. Rapidinho chegamos ao destino e até vimos duas pessoas pescando lá. 

Para novos percursos, nosso segurança é o Tobie. É possível ver a fábrica de cimento ao fundo.
Voltamos para o ponto de partida percorrendo um total de 5 km. Andando, trotando, parando para as fotos e para admirar o que não temos em Fortaleza. Chegamos em casa já à noite e meus amigos estavam satisfeitos. O Rogério todo quebrado, mas feliz. Disseram que gostaram de correr no meio do mato.

No dia seguinte, convidei-os para o percurso que eu já havia feito há alguns dias. No mesmo "esquema": andando, trotando, conversando, mangando uns dos outros, admirando o clima e a paisagem. Eles não acreditavam quando eu dizia que em Sobral, depois das 17h, o clima era uma maravilha. Fomos apenas até o pequeno açude e voltamos.

Açude menor do que o da sexta, mas emoldurado pela Serra da Meruoca.
Assim como o Tobie, a moça do GPS também foi. E ao chegarmos ao pequeno açude, foram apenas 2km. Resolvemos fazer um zigue-zague pelo loteamento para fechar um total de 5km e acabou caindo a noite. Nada de postes! Mas tínhamos celulares e um cachorro! 

À esquerda, o Rogério parecendo o cara do Totolec. Ao fundo, o bairro Renato Parente. Onde estávamos era breu. 
Quando a moça do GPS falou que completamos os 5km, estávamos com gás ainda e já era noite, isto é, temperatura melhor ainda. Então, percorremos a Avenida Mãe Rainha. No final das contas, 6,5 km e o Rogério reclamando de dores nas coxas, mas sem arregar.

Diz o Rogério que sentiu uma câimbra... Sei não..
Um pouco depois de chegarmos em casa, minha irmã chegou para passar o restante do feriado. No domingo teríamos mais corrida.

Como eu não tinha pesquisado um outro açude para desbravarmos mais estradas de terra, optamos por fazer um percurso convencional no domingo. Partimos do Clube dos Calçadistas e fizemos um bate-e-volta no Estádio do Junco via Avenida Clerto Ponte. Dessa vez, sem paradinhas ou caminhadas. Queríamos fazer a simulação de corrida de 5 km com o Ernane e o Rogério. Ambos resistiram tranquilamente. Teve até sprint final. Foram 5,2 km de corrida em 41 minutos. Se contarmos aquecimento e desaquecimento, o total foi de 6,4 km. Creio que em dezembro estaremos em maior número em uma corrida. Quem sabe até em equipe? Já estou pensando aqui em um modelo de camisa para usarmos...

Ernane, o Cara (de Vaca) das fotos.
Foram três dias especiais. Receber os amigos de longas datas, relembrar o passado, rir, rezar e... correr! Muito legal dividir com os amigos o entardecer colorido de Sobral, com a Serra da Meruoca de fundo. Com açudes, estradas de terra, pássaros... Coisas que tivemos um pouquinho na infância e que pudemos reviver nesses dias. 

Já hoje, segunda-feira, Mary e Gleice ainda arrumaram fôlego para uma pedalada. Enquanto Nádia e Erasmo, em Fortaleza, faziam seus primeiros 8km. Eita grupo bom!

Pedalada para o sangue não coalhar.

Casal que corre junto...
Cada vez gosto mais desse negócio de correr sem me preocupar com ritmo, com tempo... Lógico que é legal bater recordes pessoais. Ainda estou em busca disso e tenho metas. O desafio move o mundo. Mas, correr sem pressões é uma das maiores experiências que já vivi. É libertação.

Comentários

  1. Excelente resumo do que sentimos e vivemos durante esse feriadão em Sobral. A experiência de correr com os amigos é sem igual!

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  2. Muito bom esse feriadão ao lado de grandes amigos!
    Estar com vocês é sempre um dos melhores exercícios que faço..., rio, choro, canto, pedalo, como, como novamente, dou altas gargalhadas, me emociono, oro..., em fim, movimento todos os músculos do meu corpo.
    Obrigada aos amigos-irmãos Márcio e Juli e ao sobrinho João Carlos pela excelente acolhida em sua morada.

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