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#17 - 5ª Corrida da ASA


E não é que minha irmã preferida correu mesmo?

Meroca e eu sempre tivemos uma relação de amor e ódio. Eu a amo, ela se faz que me odeia. Mas uma coisa temos em comum, o sangue dos cabras do Cariri. Se dissermos que vamos fazer, faremos.

Para não voltar demais no tempo, vou relatar um outro desafio já na adolescência/juventude, quando ela foi aprovada no vestibular para o curso de Letras. Se no primeiro semestre ela tivesse todas as notas acima de oito, eu daria um violão. E não é que ela conseguiu? Paguei a aposta na frente dos amigos e comprei um violão Gianinni - que ainda existe! - na BD Sports do North Shopping. Engraçado que até então nunca tinha comprado instrumento nem para mim, mas paguei a aposta. Satisfeito, até. A partir dai ela seguiu bem sua vida. Saiu do mundo da preguiça e passou a ser uma adulta direita. Meio tantanzinha, mas tá viva.

Engraçado que eu sempre fui bonito e ela feia...

Agora em 2015 ela começou com uns papos sobre corrida. Tava acima do peso, a garota. Sou assinante de duas revistas sobre corridas que chegam na casa de nossa mãe, e ela sempre tem a chance de ver primeiro. Começou querendo abrir uma, depois outra e passou a levar o negócio a sério. Três treinos por semana e com orientação bem básica de longe. Afinal, não sou educador físico nem ela tem todos os equipamentos adequados para seguir uma planilha à risca. Mas o básico, funciona quase sempre.

Quem também foi no embalo foi nossa prima Nádia e seu esposo Erasmo, que também vinham seguindo uma rotina de treinos três vezes por semana. Já estávamos combinando nossa primeira corrida em família para dezembro, apenas.

Eles poderiam ter estreado na Sky Run, em setembro, mas amarelaram. Acabei convencendo eles a fazer inscrição na 5ª Corrida da ASA pois seria ótimo para as nossas crianças. Corrida dentro da Base Aérea de Fortaleza, segura, espaço amplo, etc. Mas como já falei, a minha amada irmã é um pouquinho - só um pouquinho mesmo - esquecidinha e acabou adiando, adiando, adiando sua inscrição. As vagas se esgotaram antes do prazo final. O sonho acabou...

Fui num dos grupos de corredores de rua de Fortaleza e fiquei esperando a primeira pessoa a oferecer kits. Sempre acontece. Tem sempre algum imprevisto que faz com que as pessoas repassem o kit. Foi então que o casal Elizabeth e Domingos repassaram os kits pois não poderiam estar na prova. Mas eram dois kits para três pessoas. Não apareceu o terceiro.

A entrega dos kits aconteceu na própria Base Aérea e minha amada irmã ficou de pegar o meu - tenso! - pois eu não consegui chegar à Fortaleza na quinta, como de costume. Segundo ela, tudo muito tranquilo e organizado. Além disso, já nem lembrava mais de kits desse tipo: camisa, boné, toalhinha, garrafinha (ou caneta), suco, capucino e sacolinha. Ok, eu não sou papa kit, mas se vem, é legal. Os três kits estavam a salvo!

Legal o kit, apesar de camisa estar mais para algodão do que poliamida...
Dos outros kits, Erasmo e Nádia ficaram com um e a Mary com o outro. Estava tudo certo que a Nádia correria. No entanto, uma gripe a tirou da prova, acontecendo uma substituição na véspera. Erasmo foi o escalado.

Fui deitar antes da meia noite. Coloquei o despertador para as 4h30min e dormi tranquilo. Acordei com o celular tocando Wasted Hours (Arcade Fire). Levantei, tomei banho, me vesti, calcei o tênis e quando coloquei o relógio no braço... eram 3:45. Great Scott! O celular se ajustou automaticamente ao horário de verão... Que lástima! Ah, e sabe o que significa Wasted Hours? Horas desperdiçadas... Essa foi pesada!

Tirei só o tênis e voltei pra cama. Tinha mais 45 minutos de sono. Atrasei o relógio do celular e esperei que ele tocasse novamente às 4h30min. Se tocou, não sei. Despertei às cinco e fui no automático. Comi, peguei o número de peito, chip, óculos escuro, boné, etc e fui na casa da outra vovó pegar a Ju e o JC. Na volta passamos na casa da Nádia e do Erasmo, que já tinham saído e estavam nos esperando na casa da minha mãe.

Saímos em comboio - de dois carros - por volta das 5h20min. Chegamos à Base Aérea 5:50 e esperamos o estacionamento ser liberado (apenas as 6h). Entramos, estacionamos num capinzal - que os mais românticos chamariam gramado - e depois encontramos a Mary, o Neto e o Arthur.

Fomos até a concentração da largada passando pela exposição de aeronaves. Muito legal a felicidade das crianças vendo aviões e helicópteros assim, de pertinho.

Arthur, JC e Ester querendo levar o brinquedo pra casa.
Mary e Erasmo estavam bem mais preparados para a primeira corrida do que eu para a minha. Eu fiz minha primeira em 'incríveis' 43'. Eles, treinando, já estavam fazendo isso entre 30' e 35'. E também pareciam menos ansiosos do que eu. Que bom.

Hora do chip com arame de fechar pacote de pão!
Colocamos os números de peito e os chips. 

Logo em seguida houve a cerimônia de abertura, com direito à banda do Exército - eita, agora não sei de onde era a banda exatamente - e Hino Nacional. É a Semana da Asa! Hoje em dia é tudo tão delicado que faz é medo alguém dizer que acha essas cerimônias legais... Mas eu achei. E estou dizendo que achei.

Acho que meu pai sonhou isso pra mim um dia. Mas o meu primo Leandro quebrou esse galho!
Em seguida, Mary e Erasmo foram para o aquecimento orientado pela educadora física e eu fui pro meu aquecimento de corrida leve mesmo. Pelo que tenho lido, alongamento não se faz necessário. Mas sobre isso eu converso com eles depois.

Eles foram para os 5km. Na largada, não havia separação. Todo mundo junto e misturado. Nos desejamos boa sorte e fui mais para o final da multidão. Na verdade estava dando um tempo para que o GPS ressuscitasse. Sempre que mudo de cidade, acontece isso. Deu certo!

Largamos no momento em que os paraquedistas rasgaram o céu da Base. Confesso que nesse instante torci pela aparição da Esquadrilha da Fumaça. Que nada... 

Paraquedistas em ação.
A prova seria inteirinha dentro da Base Aérea.

Passei pela Mary nos primeiros 500 metros e fui tentando me desviar do pessoal. Tava complicado. Até o quilômetro três eu ainda estava fazendo zigue-zague. Depois que entramos na pista de pouso, ai sim ficou bom. Tudo bem largo. Visão, inclusive, da pista do Aeroporto Pinto Martins. Vi alguns aviões pousando lá e fiquei imaginando quando eu teria coragem de estar ali dentro.

Com relação ao meu ritmo eu estava tentando lutar contra o bip do relógio. Não sei o que eu andei mexendo que ele bipava ininterruptamente. Irritantemente. A moça do GPS, gentil como sempre, ia me dizendo que eu estava fazendo voltas no ritmo de 6min/km. Muito bom. Passei a mentalizar provas de 1km em vez de uma prova de 10km. Dizia para mim mesmo que bastava correr mais 1km. Na verdade vi isso na camisa de um dos participantes "Só falta mais 1km". Foi dando certo.

O bip do frequencímetro me irritou tanto que no quilômetro cinco resolvi tirar a parte que fica presa à cinta. Estou livre, pensei. Que nada... Agora ele apitava sentido falta da peça! Quando guardei a  tal pecinha no bolso, lembrei dela: a Rapadura! Hummm... Como a prova era em duas voltas, já sabia onde encontraria o próximo ponto de hidratação. Rapadura exige água! Quando avistei o posto seguinte ao quilômetro cinco, dá-lhe rapadura. Mas só a metade do tablete, por enquanto.

Provavelmente por estar fazendo pace por de 6min/km, o cansaço chegou mais cedo. Geralmente acontece aquela "pregada" por volta do quilômetro sete. Mas hoje, foi antes do quilômetro seis. Graças à rapadura, no quilômetro sete para o oito, já estava recuperando o ritmo inicial. Só me vinha à cabeça a conversa com o Cícero, na Minimaratona de Sobral, e o objetivo de fazer um sub-60'. Fiz os primeiros cinco quilômetros em 29'02''. Dava. "Só mais 1km" era o mantra.

O último posto de hidratação era no quilômetro oito, por dentro de um dos hangares. O outro pedaço de rapadura foi guardado para este momento. Depois dali, era só mais uma curva para a esquerda e ao final do retão, a chegada à direita. 

Como estava sem frequencímetro, foi na base do "feeling". Estava me sentindo bem e mantive o ritmo. Olhava o relógio para ver se seria hoje o sub-60'. A última olhada marcava 58'30''. Ainda faltava a última curva, à direita. Ai, lá vem o JC. Dessa vez não segurei a mão dele. Só disse "vamo, bacurau, vamo!". E não sei onde esses pequeninos arrumam tanta energia. Depois de 1 hora pulando e correndo, ele deu um pique e eu o segui! 

"Vamo bacurau, vamo!"
Cruzei a linha com o tempo de 59'35'' (34º de 128 na categoria civil/masculino, 10km). Esse tempo eu marquei no meu relógio. O tempo oficial foi de 59'52''. Seguindo o parâmetro das corridas anteriores - meu relógio e o GPS - o percurso foi de 9,9 km. Portanto, isso dá um pace médio de 6:01 min/km. Tecnicamente ainda não foi dessa vez o sub-60'. Mas como os aparelhos de GPS têm algum erro, pode até ter sido... Não importa. O legal é estar melhorando. Sei que mais cedo ou mais tarde vou fazer provas em 55' e depois, quem sabe, 50'.

Mary completou em 35'19'' e Erasmo em 27'11''.
Ao final, encontrei a Mary e o Erasmo. Todos contentes e com gracinhas: "primeira vez que viemos e chegamos primeiro! Tá treinando não?". Palhaços. Correram "apenas" 5 quilômetros. Mas acho que fiquei mais feliz do que eles. Foi bom demais ver minha irmãzinha amada cuidando de sua saúde. O Erasmo também, mas este já tem um histórico de atleta do exército. Na próxima, a Nádia também estará, com certeza.

Primeira prova em família.
Recebemos a medalha, um lanche simples, porém decente, e tínhamos água à vontade. Prova excelente. Organizada. Segura. Clima de corrida, não de Fortal. Ano que vem, repetirei, se Deus quiser!

Décima sétima corrida. Décima segunda este ano. Em 2015 já são mais de 900 km registrados entre provas e treinos. 
Particularmente, essa corrida foi a mais importante do ano. Correr com os familiares era algo que eu idealizava, mas não esperava que acontecesse assim, tão logo. Que bom que já!

Vale registrar que o Neto, a Nádia e a Ju tomaram conta dos pimpolhos. E a Ju registrou tudo que podia. As fotos aqui são todas dela.

Agora, sim, descanso! Provas só em dezembro!

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