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#01 - 12ª Meia Maratona Internacional de Fortaleza

Fiz minha primeira inscrição em corridas! Não lembro exatamente como fiquei sabendo, mas cliquei no anúncio que me direcionou para a inscrição, preenchi tudo, imprimi o boleto e paguei. Nossa! Quase noventa reais... Bom, eu queria começar. Então, paguei.

Estava tudo marcado: 13 de abril de 2014. Domingo, um dia depois do aniversário de Fortaleza. Umas quatro semanas ainda até a prova. Treinei mais seriamente, sempre três vezes por semana... Alguns colegas educadores físicos me deram dicas para fazer treinos do tipo "dois por um", depois "três por dois". Meu Deus, que códigos são esses? Ainda bem que vivemos em tempos de internet...

Me inscrevi, obviamente, para a prova de 5km. Próximo a minha casa tem um trajeto de 5,4km. Então, se eu conseguisse fazer bem esse percurso, certamente daria tudo certo lá em Fortaleza, avaliei. E fui treinando.

Primeiro, seguindo o tal treinamento "dois por um". Depois o "três por dois"... Até que uma semana antes, fiz uma simulação de corrida. Tudo beleza: 5,4km em "incríveis" 43 minutos. "Estou voando", pensei.

Fui para a casa de mamãe, em Fortaleza, na quinta à tarde. Na sexta pela manhã, fui até o hotel onde estavam sendo entregues os kits de corrida e, também, onde seria a largada. Levei meu comprovante de inscrição, meu RG, o quilo de alimento e me dirigi ao guichê para as pessoas que tinham nome começando por "M". Fui atendido e recebi minha sacolinha amarela, com camisa, boné, chip, sachê de capucino e um monte de propaganda. 

Em seguida fui dar uma volta no local. Tenda da Asics com tênis e acessórios à venda, universitários fazendo "avaliação física", moças servindo café, lanches e um carro exposto. Ao final da corrida ele seria sorteado entre os participantes. Passei uns dez minutos e resolvi ir pra casa. 

Na volta, decidi fazer uma parte do percurso de carro. Aparentemente, mais tranquilo do que o local onde treino. Menos subidas, menos quente... Bem animador.

No sábado, um dia bem normal. Nada de procedimentos especiais pré-prova, a não ser o fato de ir pra cama bem cedo, o que não é meu costume até hoje. Acho que eram 21h quando deitei. Meu cunhado estava na sala de jantar estudando Cálculo. Virei de um lado para o outro e o sono nada de chegar. Coloquei o despertador para 4h, pois a prova estava com largada marcada para 6h30min. Era só acordar, comer umas bananas, ligar para o taxi e chegar ao local da prova.

Foi uma noite bem mal dormida. Devo ter acordado a cada 15 minutos pensando que o despertador tinha falhado. Em algumas dessas, fui ao banheiro ou a geladeira, e meu cunhado lá, estudando Cálculo. Até que finalmente eram 4h da manhã. Tomei banho, comi duas bananas e fui chamar o taxi. Opa, qual é o número mesmo?

Depois de muito procurar na lista telefônica - que não é mais como antigamente - consegui contato. Tudo acertado, até que me veio a curiosidade:
- Quanto custará?
- Sessenta reais.
- Sessenta reais? Ah, então vou pensar aqui, qualquer coisa te retorno. Obrigado.

Sabemos que a frase 'qualquer coisa te retorno' quer dizer, na verdade, 'nunca mais nos falaremos'. Minha nossa, os preços de viagem de táxi também não eram como antigamente!!! Resolvi ir de carro mesmo. O problema é que já eram 5 da matina... Meu cunhado até se ofereceu para ir me deixar, mas se uma pessoa passa uma noite inteira estudando Cálculo, achei que não seria uma boa ir para o trânsito.

Ao chegar próximo do local da prova, primeiro problema: onde estacionar? E aquele monte de motorista pensando o mesmo? A previsão da organização era de que apareceriam cerca de oito mil! Fora parentes, exército e as pessoas que normalmente participam das feiras que viram a noite nas proximidades da Catedral de Fortaleza, que é do lado.

Consegui estacionar apenas em frente a uma daquelas lojas para turistas, na Rua Monsenhor Tabosa. Pelo menos havia movimento. Desci, travei o carro e tudo ok. Tudo mesmo? Como eu iria correr com chave, celular e documentos? Foi ai que lembrei que estava com um calção com n bolsos. Tudo bem, pensei.

A caminhada até o ponto de largada já serviu de aquecimento. Ao chegar na concentração, muita gente. Muita gente mesmo! Tendas para todos os lados, carros do exército, pessoas entregando panfletos, corredores, familiares, fotógrafos... Enfim, muita gente.

O mais impressionante de tudo foi o que passou pela minha cabeça por uns instantes: "posso ganhar esse negócio aê". Meu cérebro achou que todas aquelas pessoas com jeito de corredor, estariam participando apenas dos 10km ou dos 21km. E que, portanto, aquelas mais cheinhas, que aparentavam ser apenas pessoas que caminhavam no final da tarde, estavam inscritas para os 5km. Comparando, meu cérebro me disse que eu era o favorito. Acho que esse processo todo durou uns dois segundos, quando a música alta me trouxe de volta a realidade.

Percebi que muitas pessoas estavam fazendo alongamento e que do lado estavam os estudantes de fisioterapia de uma faculdade fazendo com os participantes. Fui para a maca onde a fila era menor e, quando chegou minha vez, achei que a estudante tinha como objetivo me deixar uns cinco centímetros mais alto. E o pior: ela era tão maquiavélica que fez aquilo tudo sorrindo. Meu Deus, como tem gente ruim nesse mundo...

Nisso tudo, já eram 6:25 e lá fui eu para o funil de largada. Fiquei de ponta de pé e não enxerguei o início nem o final daquele povo todo.

No horário marcado, começa.

Lá estava eu, com o bolso cheio (chaves, documentos, celular), sem boné e sem óculos escuros. Não foi esquecimento. Simplesmente julguei desnecessário. Ainda bem que não esqueci o monitor cardíaco, pois pelas minhas contas, se eu ficasse na média de 162, 163 bpm, eu terminaria tranquilamente a prova.

Antes de chegar aos primeiros 500 metros, o monitor já indicava 174 bpm e bipando... Bipando... Aquilo já estava irritante antes mesmo do primeiro quilômetro. Resolvi tirar o relógio do braço, quando na verdade deveria ter baixado a cinta do peito para a cintura. Nossa, que "inteligente"!

Ao passar da placa indicativa do quilômetro 1, finalmente me concentrei na corrida. E vendo toda aquela multidão correndo e bufando, fui no embalo.

No percurso, o retorno dos 5km se dava justamente na metade, ou seja, nos 2,5km. Na empolgação, passei nesse com um tempo de 16'15''. Ora, uma conta rápida me disse que, nesse ritmo, eu terminaria a prova em menos de 33 minutos! Para quem fez um simulado de 43 minutos e chegou a se considerar como o principal favorito para a prova, era medalha de ouro, na certa.

Ai começa a primeira grande lição: na prova, faça o que treinou. Não adianta inventar.

Uns quatro minutos depois, senti que todos os corredores que estavam atrás de mim, começaram a correr muito mais rápido. E todos foram passando, passando, passando... "Como esse pessoal consegue correr tão rápido? E logo agora que é uma subida?". Uns 5 segundos depois, meu cérebro - ele de novo - me diz que, segundo a dor que vem das minhas pernas, não são os outros que estão mais rápido, mas eu que estou "pregando". Rapaz... Parecia que as pessoas que não tinham passado por mim, tinham se agarrado às minhas pernas! Como pesou!

Mas não desisti. Não caminhei. Talvez alguém olhasse e pensasse: "alguém avisa pra esse cara que ele tá no asfalto e não no mangue". Já nos 500 metros finais, passa alguém muito parecido com meu ídolo Celso Trindade. Foi um alento; primeiro por ele também estar lá. Segundo, pensei: "ora, quase chego na frente do Celso!". Acho que apenas nos metros finais, tive que dar uma caminhada de uns três passos. Prova concluída em 42'56''.

Nossa, que tempão!
Portanto, 26'41'' para percorrer os outros 2,5km. Salvo engano, o vencedor dos 5km terminou a prova em um pouco mais de 17 minutos. Com certeza ele estaria bem e aguentaria outra prova de 5km, ao contrário de mim que parecia um atropelado.

Mesmo com todo o cansaço do mundo, foi emocionante terminar uma corrida e ver aquele mar de Fortaleza, que quando criança só via da janela do ônibus e mesmo depois de adulto, quase não o via. Confesso que deu um nó na garganta de lembrar das pessoas que me fizeram estar ali: Ju, JC, Celsão, Fabíola e Jean... Como diria Gil, a paz invadiu o meu coração.

Kit de corrida/pós-corrida.
Depois desse momento intimista, fui pelo único caminho que era possível; vi que entregavam água, frutas, isotônico (muito prazer, Márcio) e a medalha. Voltei para a fila e peguei tudo de novo, exceto a medalha, claro. 

Ao procurar um lugar para sentar, um senhor me abordou:
- Você correu 10km?
- Não.
- Mas a sua medalha é igual a minha!
- Corri 5km. E mal!
- Ah, então ano que vem vou correr só 5km. Depois digo que foi 10km. A medalha é igualzinha mesmo...

Depois dessa, vi que aquele papo de que a corrida torna as pessoas mais nobres, não é válido, em geral.

Quando finalmente encontrei um local para sentar, vejo que já tem uma pessoa lá. Advinha quem? Ele mesmo, Celsão. Dei um abraço nele, conversamos um pouco e logo em seguida chegou o Elder, cunhado dele que acabara de concluir os 21km. Conversa vai, conversa vem e ficou claro que, obviamente, o Celso fez a prova de 10km. Por isso passou por mim nos metros finais...

E foi assim. Muitas lições e uma meta traçada: concluir quatro provas em 2014. Uma já tinha ido. Agora seria mais treino e mais disciplina. Um tempo de 26'41'' para fazer 2,5 km, não dá. Andando faria isso mais rápido!

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